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Imersão no Tema

Gestão de resíduos sólidos urbanos e coleta de lixo em Florianópolis: contexto, dados, políticas e vivências.

Contextualização

O que está em jogo na coleta de resíduos da Capital

A gestão de resíduos sólidos urbanos compreende todo o ciclo de geração, coleta, transporte, tratamento e destinação final dos materiais descartados pela população. Em Florianópolis — cidade-ilha, turística e em crescimento — esse ciclo enfrenta pressões sazonais e estruturais que tornam o tema socialmente decisivo.

Coleta convencional

Recolhe o rejeito misturado e o leva ao aterro sanitário em Biguaçu. É o fluxo dominante e o mais custoso ambientalmente.

Coleta seletiva

Separa recicláveis secos, vidro e orgânicos compostáveis, encaminhando-os a associações de catadores e à compostagem.

Por que Florianópolis?

Cidade-ilha, com forte sazonalidade turística e crescimento populacional acelerado, vive os dilemas de resíduos de forma amplificada.

Dados e Indicadores

Os números da gestão de resíduos em Floripa

Um panorama quantitativo do que é gerado, coletado, reciclado — e do que ainda escapa do sistema.

700 t

de resíduos gerados por dia em Florianópolis

1 kg

de resíduo gerado por habitante / dia

+50%

de aumento na geração no verão

210 mil t/ano

movimentadas pela Comcap

6–8%

de desvio do aterro pela coleta seletiva (estagnado desde 2014)

938 t

de recicláveis coletadas só em ago/2022

+11 mil t/ano

desviadas do aterro pelos Ecopontos

+14 mil

usuários/mês atendidos pelos Ecopontos

R$ 100 mil/dia

de custo de destinação ao aterro (R$ 150/t em Biguaçu)

Desvio do aterro pela coleta seletiva

Apenas 6 a 8% do total — meta do PMGIRS é 60% dos recicláveis secos até 2030.

Atual (2014–hoje)8%
Meta PMGIRS 2030 (recicláveis secos)60%
Meta PMGIRS 2030 (orgânicos)90%

Políticas, Leis e Atores

Quem regula, quem opera e quem atua no território

Leis e Marcos Regulatórios

  • Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010)
  • Decreto Municipal de Lixo Zero de Florianópolis (2018)
  • Lei Municipal 113 — apresentação dos resíduos para coleta
  • PMGIRS — meta: desviar 60% dos recicláveis secos e 90% dos orgânicos até 2030

Políticas Públicas e Programas

  • Coleta seletiva porta a porta em todos os bairros (exceto servidões sem acesso)
  • Coleta Seletiva Flex — 4 frações: recicláveis secos, vidro, orgânicos, rejeito
  • Coleta de resíduos verdes (7 a 10 vezes/ano por região)
  • Rede de Ecopontos: Itacorubi, Morro das Pedras, Canasvieiras, Capoeiras, Rio Vermelho, Ingleses, Monte Cristo, Coloninha, Costeira (expansão para 13)
  • 147 Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) exclusivos para vidro
  • Operação Verão — coleta passa de 3 para 6 vezes/semana nas praias
  • Projeto Beija-Flor (1986) — 1ª experiência comunitária de coleta seletiva
  • 1994 — coleta seletiva expandida à área urbana (pioneirismo nacional)

Organizações e Atores

  • Comcap

    Autarquia Municipal de limpeza urbana e coleta seletiva

  • SMMA

    Secretaria Municipal do Meio Ambiente — gestora do PMGIRS

  • ACMR

    Maior associação de triadores; absorve >50% do material doado

  • Sul Recicla

    Associação de triadores parceira

  • 14 associações de catadores

    3 em Floripa + 7 na Grande Florianópolis · ~200 associados · ~R$ 4,5 mi/ano

  • Catadores informais

    Atuam de forma não regulada antes dos caminhões da Comcap

  • RACLI

    Empresa terceirizada que assumiu parte da coleta convencional em 2024

Vivências e Percepções

O que se vê (e se sente) no cotidiano

Condomínios

Moradores relatam dificuldade de espaço para a separação adequada dos resíduos no dia a dia.

Catadores informais (2020)

Durante a pandemia, percorreram as ruas antes dos caminhões da Comcap, desviando material sem controle ambiental.

Adesão de 95%

Em condomínios do Itacorubi, a Coleta Seletiva Flex atingiu 95% de adesão — quando o serviço chega bem estruturado, a população responde.